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http://www.youtube.com/watch?v=eRn4x3jdFtE

http://www.youtube.com/watch?v=T5OmzUEm504

Buenas, pessoal. Mais um post da série dos 12 passos. Gostei do processo criativo. Me força a escrever por acá pra desabafar um pouco sobre as vicissitudes da vida e clarear um pouco as vistas. (Por favor, pedantismo ortográfico-gramatical-semântico, não)

Nessa minha lida de vida acadêmica e mestranda, entre muita cafeína y otras cositas más, fiquei pensando com meus botões como fazer para melhorar meu processo criativo e, principalmente, como posso torná-lo mais produtivo. Precisei também parar pra pensar sobre minha atual condição: uma pessoa que passa boas horas de seu dia na frente do computador lendo e/ou me preocupando com prazos, palavras, referências, sinônimos, etimologia, epistemologia e afins.

Até aí, nada demais pros dilemas acadêmicos no geral. Mas o que me incomoda é que eu não tinha – e ainda não tenho – A MENOR NOÇÃO de como sobreviver e, principalmente, viver em tamanha introspecção e, no meu caso, CAOS MENTAL. Não que eu seja louca, mas meu pensamento não é NADA linear, não tenho NENHUM método fixo de estudo e NENHUMA rotina, salvo pequenas coisas que tenho que fazer. Ao mesmo tempo, tem uma pilha de coisas “práticas” que preciso fazer que tenho evitado: cozinhar (o que me faz gastar uma grana desnecessária), tirar a carteira de motorista, ir ao cabeleireiro, fazer meu curso de auto-maquiagem, tratamentos de beleza são algumas das coisas que estou negligenciando e postergando.

Nessas andanças sofridas, depois de muito matear e conversar comigo mesma e com outras pessoas, inclusive em terapia, estou conseguindo vislumbrar (ou seja, revelar) algumas pequenas coisas que eu gostaria de compartilhar com o mundo pois, creio eu, pode ajudar algumas pessoas meio “lunáticas” e “mentalmente efervescentes” como eu.

Parei, simplesmente parei de me preocupar com horário de estudo. Às vezes é o sol da manhã que me motiva, outras vezes é o silêncio da madrugada… e ocasionalmente eu perco a hora e até mesmo ligações telefônicas quando me abstraio num pensamento ou num artigo. Isso pra mim é uma GRANDE vitória. Foco. São esses poucos momentos em que FOCO que consigo produzir boa parte da minha produção.

O ritmo de leitura é outra coisa que me preocupava DEMAIS. Eu achava que tinha lido pouca coisa em um mês (uns 10-15 artigos e capítulos de livros). Pois é, descobri, através do meu orientador que isso não é pouco. Ainda estou cética quanto a isso, pois o cara é uma máquina de leitura e produtividade. Mas também não posso me deixar contaminar por essa comparação, até porque ele está “só” 30 anos na minha frente. Enquanto eu tô com 24, ele tá com 54. Creio e desejo que até lá eu tenha tempo de fazer boa parte das pesquisas que tenho em mente nesse “curto” prazo de tempo.

Estou também ansiosa com relação à minha organização. Tanto pra leitura, quanto pra espaços físicos (quarto/casa) quanto pros meus horários. Agora são 22h48 e daqui a pouco vou esquentar uma janta pra mim. E eu tomei uma tentativa de chimarrão às 20h, ou seja, ainda tem tempo pra eu me enrolar um tanto aqui.

Entretanto, entre tanto drama, acabei aprendendo um pouco mais sobre mim mesma e descobri algumas coisas interessantes que podem ajudar ao estudo de qualquer um:

1. PEQUENAS METAS DIÁRIAS: nada de ficar pensando que em 1 mês vou ler 5 livros. Eu falo que “em 1 dia vou ler capítulo X e o artigo Y”.

2. SEPARAR POR TEMÁTICA: como tenho vários assuntos pra ler, então tenho que dosar minhas leituras sobre eles pra não dar ênfase demais num assunto e enfraquecer outro. No meu caso, tenho feito da seguinte forma: Estética Performática, Geografia da Representação/Não Representação, Dvorak, Romantismo, Nacionalismo… e a partir da intersecção desses “círculos temáticos”, vou construindo as minhas produções intelectuais.

Um diagrama de Euler - Preciso Fazer o meu!!!

Um diagrama de Euler - Preciso Fazer o meu!!!

3. VIDA SOCIAL/CULTURAL: indispensável mesmo! Ainda mais com verdadeiros amigos que te motivam e reconhecem as qualidades que me são tão custosas a ver em mim mesma. Ontem mesmo me dei conta de que estou virando um “monstrinho”… só tenho que agradecer à Nádia por isso. E também a vida social (e as redes sociais) suscitam idéias! A saída da bolha intelectual também é indispensável pois, como disse Einstein, “uma mente quando se abre nunca volta ao seu tamanho original”. Ou algo do tipo. Ou seja, a moral da história é: sair do cotidiano, se expor a situações diferentes, conversar com muitas pessoas, rir muito, desabafar e viver com mais amor.

           Comida Indiana - Inspiradora!

4. VIDA AFETIVA E FAMILIAR: É… é importante pra caralho, pelo menos pra mim. Me lembro de como é importante ter alguém que segure sua mão naqueles momentos de maior necessidade. Eu, sozinha, surto! Acho que vou entrando num círculo vicioso maníaco e não me cuido direito. Preciso de pessoas que me cuidem. Estou parindo idéias, que são como se fossem filhos. E eu bem me lembro do Diogo, grande amigo, dizendo que as gestantes e as mães com recém-nascidos precisam de MUITO amparo. E, por mais custoso que seja admitir isso, hoje eu reconheço que sem meus amigos, um companheiro e minha família, não sou NINGUÉM, minha auto-estima vai lá pro chão (sim, tenho problemas com insegurança acadêmica e pessoal) e não vou produzir.

                 

5. SANIDADE MENTAL: como disse minha amiga Alba, uma pessoa como eu ou “desponta” (embora eu não ache que esteja fazendo nada de tão extraordinário) ou surta. Nem preciso dizer que sinto isso na pele. É como viver no abismo todo dia. Teve épocas que eu tava perto de surtar que eu queria largar tudo e virar vendedora, caixa… tudo por uma vida que suprimisse esse turbilhão que horas é lindo, horas parece um grande pesadelo.

6. PARTIR PRO “CONCRETO” E MEXER O ESQUELETO: tenho que tirar 1 dia (ou algumas horas) da semana e fazer atividades beeem concretas: cozinhar, cuidar de flores, tricotar… enfim, algo que envolva mais a inteligência cinestésica do que a cognitiva. Em horas como essas, às vezes chegam idéias bastante inusitadas. Foi num passeio de bike que consegui fazer a macroestrutura do último artigo que escrevi.

     Horta - Deusa Etrusca da Jardinagem

(Imagem de Horta – Deusa Etrusca da Jardinagem)

Acho que, por hora, são os auto-conselhos que consigo dar a mim mesma que vieram se revelando na medida em que fui pensando, conversando sobre… é o que sempre digo: é o diálogo que move a ciência, o mundo e as idéias. Agora é hora de parar e botar a mão na massa pro meu artigo “O som e a música na geografia: apontamentos epistemológicos e metodológicos”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Dizem que do chão a gente não passa, não é mesmo? E é verdade. Depois de sucessivas quedas, uma hora o terreno parece um pouco menos hostil. As novas formas se tornam mais familiares, os dias mais normais, as noites menos aterrorizantes e as pedras se esfacelam. A névoa baixa e tudo fica mais claro.

Meu rumo nos meus textos está cada vez mais certo. Hoje posso me sentar, ler e escrever com menos dificuldades. Meu sono tá voltando ao normal (pelo menos acordar todos os dias quase no mesmo horário eu consigo) sem muita interferência, enfim… parece que o mergulho nas águas abissais chegou ao fim.

O engraçado é que esse fim de estado de confusão vem justamente quando eu estou prestes a entrar em outro: terapia não é fácil. E a terapeuta já começa fazendo pergunta difícil! Talvez seja justamente pra restaurar: trazer as belezas duma obra antiga que foi se desgastando com o tempo, ou então talvez restautrar venha no sentido de recomeçar: de promover uma grande limpeza para mantê-la.

Muitos anos de fraquezas e angústias minha vida foram simplesmente colocados em uma gavetinha que teve seu lacre rompido por um episódio bastante complicado. E quando elas vieram a tona, simplesmente me cegaram e me fizeram reviver uns anos negros da minha vida… e as perguntas que foram endereçadas a mim reviveram partes ruins não só da fase adulta, como também na infância e na adolescência…

…e o processo continuará.

Calmo…

 

É, pessoal. Depois de meses escapando do blog e, coincidentemente, dos meus problemas pessoais, agora provavelmente terei que mudar. E mudar definitivamente. Me tratar, me curar. Olhar para o passado e fazer uma reflexão profunda. Resgatar os aprendizados e as mudanças que se operaram em mim nos últimos anos e dar um novo sentido pra minha vida no presente.

 Buscar a felicidade… um objetivo tão simples, tão banal, tão bonito e ao mesmo tempo tão complicado, tortuoso, frustrante. Como é comum no ser humano ter emoções conflituosas numa mesma circunstância, não? Triste, mas aliviado. Com raiva, mas com medo. Feliz, mas com ressentimentos. Repulsivo, mas curioso. Expansivo, mas solitário. Sorridente, mas raivoso. Explodindo de raiva, mas polido. Diplomático, porém intolerante. Inquisidor, porém preocupado. Corajoso, porém inseguro. Convicto, mas tímido.

       Como é que um ser humano pode ser pleno repleto de tanta dubeidade em seu existir? E porque eu me sinto tão impelida a fazer tantas perguntas sem resposta? Será meu espírito científico, uma fase de incertezas (mais uma? achei que a adolescência era isso!) ou será um eterno analista (tecnicamente podemos chamá-lo de vírus neuroquímico?) que existe dentro da minha cabeça que me motiva a dar um monte de nós nela?

 Existem tantas pessoas que se contentam com a ignorância dos aspectos mais subjetivos de sua existência? Trabalham, compram, fazem musculação, casam, têm filhos, trocam de carro, compram um óculos Ray Ban original, pagam uma viagem pra Europa em 12x, pescam, vão à igreja, compactuam com a maioria dos acordos sociais implícitos nessas práticas sem maiores complicações. E eu me sinto num mundo diferente delas. Num mundo onde fico me perguntando da minha existência, da minha coexistência (pra falar uma palavra que alguém gosta…), da minha (in)competência acadêmica (MUITO oscilante ainda), da minha competência como amiga (cada vez melhor)… e, agora, da minha incompetência enquanto “mulher”.

 Todas essas 3 variantes são novas na minha vida. Antes eu não me preocupava seriamente com academia, era uma amiga incompetente e uma, creio eu, boa companheira. E gostava muito desse papel. E gostava muito de ter um companheiro.

Algo me incomoda agora nessa nova jornada. Embora eu tenha a plena certeza de que as mulheres não precisem dum homem para se sentirem completas, o que me assusta nisso? A solidão ou a falta de homem? São mutuamente excludentes? Sinceramente, acredito que em muitos aspectos da minha vida eu me virei sozinha. Isso era quase uma obsessão na adolescência. A minha luta pela minha autonomia. Hoje, conversando com jeito, poderia voltar a morar com meus pais. Mas faço absoluta questão do “meu” teto, da minha liberdade, da minha autonomia. Não que eu seja egoísta, pelo contrário, gosto muito de compartilhar esse espaço. Mas a questão é que prezo esta liberdade.

Só que ao mesmo tempo, essa liberdade me acomete duma solidão. Pareço estar numa agorafobia emocional. Será isso? Que borderline. ¬¬

Se minha existência é fruto de tanta reflexão e trabalho – portanto, de estima – por que a presença do outro, do companheiro, do contraponto me faz falta? Isto é tão errado assim? Lembro-me que fiz a mesma pergunta quando terminei com o Marlon (e está até registrada neste blog). Minha última experiência foi recheada de bastante decepções, o que, em condições normais de pressão e temperatura induziria a um ceticismo, a um afastamento, a um distanciamento de uma relação mais íntima. Entretanto, eu ainda consigo enxergar o valor e a importância disso na minha vida e continuo a buscar.

Seria, então, uma carência emocional (como alguns podem me acusar)? Ou será uma busca como qualquer outra tal como a minha busca pela verdade e pelos porquês (como disse meu sábio amigo Carlos Rosa)?

Sei que não posso afortunar os meus amigos (e nem um companheiro fictício) com tanto espírito reflexivo. Talvez um ou outro tenha estômago. Aos que tiveram que engolir tanta divagação sobre tanta profundidade, ficaram aborrecidos e não me falaram, minhas sinceras desculpas e agradecimentos. Tá mais do que na hora de eu mergulhar de vez em meu inconsciente, de procurar alguém que possa, de fato, me orientar, não opinar a respeito. Debate e orintação são dois processos diferentes. E ninguém tem a obrigação de me orientar. Nem mesmo meus pais a essa altura do campeonato.

Tenho que descobrir, também, porque levo tudo tão a sério. Embora disso eu saiba a resposta. Provavelmente é pelos constantes abandonos que sofri durante minha adolescência. Provavelmente também porque eu não sabia se poderia contar com os amigos que tinha por muito tempo. Era um processo mútuo de abandono e afastamento. Isso, hoje, somado com meu mais recente “trauma” adquirido (pois já não permiti que ele tenha se tornado um em várias vezes), tenha incitado certas inseguranças anteriores e, ao mesmo tempo, uma certa vulnerabilidade. Minha seriedade é, então, uma espécie de garantia que tento estabelecer pra sofrer menos. A isto damos o nome de mecanismo de defesa, certo? Sim, eu falo DEMAIS dos mecanismos alheios, mas sou capaz de reconhecer os meus. E agora, falo mesmo. Sem medo de expor estas fraquezas.

A isto se chama coragem, se não me engano. A capacidade de olhar pra dentro de si com sinceridade. A capacidade de usar o senso crítico consigo mesmo e reconhecer que precisa de ajuda e de uma luz no fim do túnel. Certamente, tudo é novo pra mim. Por isso, talvez, que eu tenha uma forte identificação com meus alunos. Talvez eu, ao invés de ter medo, procure me fascinar com esta nova fase. Em alguns aspectos, estou tentando: saio mais com meus amigos, valorizo a presença de cada um que chamei para dialogar comigo. Valorizo as presenças, inclusive de meus familiares. Ou pelo menos acho que consigo demonstrar valor. Acho que atribuir valor da existência de outros seres humanos a sua existência, para eu que sempre fui uma “wolverine” da vida, é um ato de coragem muito maior do que peitar pessoas que venham debater comigo. Como disse o Lincoln, meu padrasto, consigo peitar uns 10 numa briga. E isso certamente não faz de mim mais forte, não por dentro…

Agora acredito que tenha tomado os verdadeiros passos: estou me tornando mais funcional, disposta a viver e abraçar a solidão (embora não faça questão de manter essa promessa como fardo) e, agora, espero ter um horizonte ampliado com pessoas qualificadas para me ajudarem nisso: psicólogos, filósofos… no mais profundo diálogo entre a razão e a emoção, que minha jornada comece.

 (Um dia me lembrem de fazer um post sobre morar sozinha, um sobre meus aprendizados com os bichos e um sobre aprendizado com gente ultra-qualificada)

Beijos!

Bom dia, amiguinhos… enquanto eu tava lendo um texto aqui, outro acolá do meu mestrado (aliás, tenho que escrever sobre isso!), achei esses textos de antigos blogs (do tempo do blogspot!!!) que resolvi compartilhar com vocês. É sempre bom rever nossos pensamentos e verificar o amadurecimento (ou não) de nossas idéias. Posso dizer que hoje em dia tenho uma visão mais tolerante de religião, mas isto não significa dizer que ACEITO deuses e dogmas. Mas consigo entender o porquê das pessoas acreditarem.

Sem mais delongas, I rest my case. Acho que os 2 textos (não achei o terceiro… =/ ) são grandes o suficiente… sem revisão e sem edição!!!

Besos!

A trilogia maligna (?) contra deus – o golpe de misericórdia…

Quando eu falei que deus é sádico, alguns devem ter se chocado… afinal de contas, o sadismo é uma manifestação muito humana para emanar da essência divina d’Ele. Pois é. Agora vou tentar desbancar o maior argumento dos acólitos de deus: o livre arbítrio.

Toda vez que se fala em deus, os pseudointelectuais já berram nos meus ouvidos: deus te dá livre-àrbitrio, inclusive para não acreditar nele. Pois o livre-arbítrio é uma grande palhaçada, mais um requinte de crueldade de deus. Vou tentar justificar:

Quais são as três características fundamentais do deus monoteósta, de acordo com inúmeiras religiões monoteístas? Onipresença, Onipotência e Onisciência. Para os que AINDA não sabem e querem discutir seriamente sobre deus, vou explicar o significado desses termos

Onisciência – Saber tudo
Onipotência – Poder tudo
Onipresença – Estar em todos os lugares

Essas características são comuns na maioria das religiões MONOTEÍSTAS (os politeístas foram mais espertos e criaram áreas de especialização para cada deus). Vamos nos concentrar um pouco na onisciência.

Ora, se deus sabe de tudo, assume-se que tenha conhecimento infinito, seja do passado, seja do futuro.

Se tem conhecimento infinito, sabe exatamente o que vai acontecer nas nossas vidas.

Oras, se ele nos oferece vários caminhos, como vai prever quais nós vamos escolher?

Se ele sabe de tudo, teoricamente, ele SABE que vamos tomar tal atitude.

(coloco as frases separadamente para dar tempo para minha cabeça pensar)

Ops… temos aqui um grande paradoxo… Afinal de contas, temos nossas vidas regidas pela batuta de deus ou pelo livre arbítrio? Predestinados por deus ou libertos por nossa mentes?

Mais uma vez, talvez eu possa ter me expressado mal. Qualquer dúvida ou interprtação errada, deixem comentado. Eu talvez possa me redimir pessoalmente dos meus erros e esclarecer melhor.
Postado por Carol às 14:59 0 comentários

Deus é um grande sádico

Deus é um grande sádico. E tem sérios problemas de auto-estima. Claro, isso se ele existisse como a grandessíssima maioria define, na verdade até mesmo como os pseudo-teólogos o definem. Se deus é tão poderoso, para que tanto louvor ao mesmo? Se prega o amor, porque demanda tantos sacrifícios? Se Jesus, o próprio filho d’Ele diz para dividirmos tudo o que temos, porque a Basílica de São Pedro não concede uns quadros e umas estátuas para as Igrejas católicas mais pobres? Devido à morte de Karol Woytyla, acabei entrando em contato com a arte da Basílica… ela é linda, artisticamente falando. Uma arquitetura impressionante, possui quadros e afrescos maravilhosos, sem contar todas as esculturas e os utensílios pessoais dos cardeais.

Mas, dessa vez, vou tentar me manter no assunto do título. Voltemos a falar de deus. Porque eu acho ele um sádico? Ah sim… porque fez do homem um ser angustiado com sua própria existência, porque fez com que os fracos de “espírito” se perdessem dentro de suas próprias falhas, que na verdade são passíveis de qualquer ser humano. Ele deu a muitos o senso de obediência e a poucos o senso de Virtude (nas definições de Maquiavel).

No alto de sua onipotência, ele vê (e viu) todas as manifestaçõe débeis de todos os credos: vê a mocinha se deixar abusar pelo padre, viu o pobre miserável dar R$26,00 para a Universal (10% de 260,certo?), viu a senhora com osteoporose simplesmente detonar a própria rótula tentando pagar uma promessa que foi resolvida com as mãos do médico, não d’Ele! Ele olha tudo isso lá do céu e deve rir… eu pelo menos, se fosse deus, iria rir muito. Porque, sinceramente, se ele, com todo seu poder, não deu um pingo de bom-senso para seus “acólitos”, não quer que o quadro atual mude. E, pra falar a verdade, é bem divertido (e triste) rir de loucuras coletivas como um culto de uma igreja evangélica. Também é um tanto engraçado (e triste) ver uma senhora rezar um terço debilmente, achando quevai para o céu. Mais cômico ainda: ver uma garota, recém desvirginada, rezar pelos pecados. O que ela quer fazer? Lacrar o hímem com o dedo do padre? Com o dedo de deus?

Aí que vem o problema de auto-estima. Por que é que deus precisa de tudo isso? Por que precisa de Igrejas suntuosas, sacrifícios pessoais, coletivos, guerras sangrentas, fundamentalistas com uma viseira lateral, enfim… todo o aparato que constitui uma “máquina religiosa”. Por que? De acordo com a psicologia, quem precisa chamar tanto a atenção tem problemas de auto-estima. Precisa que fiquem cuidando, idolatrando… enfim, vocês entenderam o recado.

E depois me dizem que deus é vida e amor… tenha santa paciência. Um deus que deseja que o homem se multiplique aos bilhões e depois ter o POTENCIAL de matar mais de 60% dos jovens africanos com AIDS não tem amor no coração. Um deus que impõe o parto de um bebê MORTO, que proíbe os tetraplégicos de andar, que acha que uma garota de 12 anos pode ser mãe e etc, etc, etc, tem que ser sádico.

Até que me provem o contrário, deus vai continuar sendo sádico. Se ele é onipotente, onipresente e onisciente, é sádico, se permite com que esse mundo seja o CAOS que é hoje. Se a palavra d’Ele não pode ser espalhada para TODOS, não é onipresente, se não se faz entender por todos, não é onipotente (não consegue) e nem onisciente (não sabe). Se a entidade em questão não possui essas três características, não é deus, é somente uma idéia de ser transcedental… Aliás, existem várias idealizações do que as pessoas chamam de deus. Qual é a verdadeira? E não me venham com relativismo!

Sei que o raciocínio está meio 8/80, mas é uma das melhores maneiras que encontrei para defender meu ateísmo. Melhor do que defender deus com uma visão fechada e SEM raciocínio lógico.

Não sei exatamente como começar esse post… talvez com um bom dia, explicando que no meu penúltimo dia de trabalho não tenho muito o que fazer e estou ativamente me “isolando” dos colegas de trabalho que também estão, com razão, nadafazendo.

Ou então eu deveria partir já pros 15min do primeiro tempo – wow, é raro eu fazer metáforas futebolísticas – e ir para os finalmentes. É, talvez seja melhor.

Para quem ainda não sabe, deveria já saber que música pra mim é algo muito sério. Desde os 10 anos de idade eu era doida pra tocar um instrumento que fosse mais complexo que a flauta doce que a gente tinha no colégio. Aliás, acho que foi graças à flauta doce que tenho o ouvi do que tenho, não posso simplesmente desdenhá-la. Anyways, pra tentar resumir a história, vou elencar alguns fatos que evidenciem o papel da música na minha vida: aos 12 anos comecei a ter minhas primeiras aulas de violão e parei aos 15 quando fui fazer meu intercâmbio. E como a idiota aqui achou que não levava jeito pra música, eu suprimi minha paixão por ela e, principalmente, meu desejo de fazer composição e regência na EMBAP (pra virar maestrina e etc). Optei pela geografia por n razões (as quais podem ser motivos de outro post, inclusive) e, por um grande acaso da vida, acabei namorando com um músico (por mais que ele o negue, rsrsrs) que demorou 3 anos pra me convencer de que eu deveria retornar aos meus antigos sonhos.

Na realidade, meu grande medo era o de fazer esta análise da minha vida: será que virei mais uma daquelas pessoas que tinham um sonho bonito e acabaram abdicando dele ou a própria vida me deu outras escolhas e circunstâncias que me afastaram da música? Cheguei à conclusão (não sozinha, obviamente) de que faltaram duas coisas cruciais: um “grupo de apoio” e uma autoconfiança própria e um professor que entendesse como era meu aprendizado musical e que aproveitasse meu hipotético ouvido absoluto. Para não deixar isso em branco, pensei em começar de novo na música e, para isso, peguei um instrumento lindo e maravilhoso: a viola. A viola não é a viola caipira, mas sim esta que está ao lado do violino na imagem ao lado. Não vou ficar falando das diferenças timbristicas e dos graves e agudos dela, quem quiser que pesquise um pouco pois já estou desviando MUITO do propósito deste post.

Agora eu tenho que bolar um jeito de retomar ao assunto…

Ok… ao longo desta minha vivência musical, viajei por vários estilos, mas posso dizer que o ponto de partida da viagem foram dois álbuns: o black album do Metallica e o Unpulgged in MTV do Nirvana. Quem diria que os anseios de uma garota de 11 anos, recém-aborrecente-revoltada, iria gerar tudo isso.

E ao longo desta vivência musical também me deparei com várias bandas, algumas muito boas e outras não muito. Uma das que mais me marcaram desde que conheci a primeira música instrumental de rock, aos 16 anos, foi Rush. Acho que falar de todas as virtudes da banda é chover no molhado, mas vale frisar a combinação perfeita entre técnica, musicalidade, letras dotadas de significados profundos e o aproveitamento do que há de melhor da convergência de ideias musicais da época fazem deste power trio canadense um espetáculo a parte na história do rock. Sim, gosto de Rush a ponto de pagar pau pra banda. Infelizmente, é uma banda desconhecida e muito desvalorizada e mal-compreendida. E, infelizmente, muitos do que gostam da banda acabam endeusando os álbuns dos anos 70 – de viés progressivo/psicodélico/rock setentista – e torcendo o nariz pras demais décadas.

Confesso que eu também pertencia a esse rol de fãs reducionistas, mas depois eu parei pra pensar: não é triste ver aquelas bandas que ficam fazendo um som derivativo de si mesmo? Vamos pegar aí qualquer banda no gênero… Iron Maiden! Poxa, também gosto muito do som deles, mas os últimos álbuns pecam pela criatividade: eles acabaram virando covers de si mesmos, como diz aquela infame comunidade do orkut. Eu acho muito digno, ousado e válido experimentar novos horizontes. E é isso que Rush faz: sem se prender a rótulos ou padrões musicais, eles vão simplesmente existindo no mundo sem perder a essência do trio. Por mais que “2112” e, sei lá “Nobody’s hero” sejam absolutamente diferentes, a gente percebe que olhando a história da banda como um todo não há perda de identidade da banda, coisa que é raríssima na indústria cultural. Os caras fazem o que querem e pronto, não tem essa de “ah, mas temos que congregar novos fãs”, tal como Metallica e Aerosmith fizeram ou então o caminho oposto (tal como o Metallica fez, ahahha).

O que eu sinto é que mesmo com todas essas cartas na mesa, muitos fãs ainda torcem o nariz pro álbum mais recente dos nossos tiozões: Snakes and Arrows, na minha opinião, está correndo sérios riscos de ser desvalorizado e caído no esquecimento. Se depender deste meu pequeno esforço, vou tentar buscar alguns elementos para valorizá-lo.

Em primeiro lugar, acho muito relevante falar de um aspecto mais subjetivo do álbum. Para mim, ele tem um quê de grito de liberdade, de luta por espaço. Ou seja, eu senti que é necessário estar em um certo estado de espírito para melhor apreciar o álbum como um todo. A princípio achei o álbum com mais peso do que deveria, com muitas dobras de instrumentos e com uma distorção meio exagerada. Os únicos elementos que eu realmente tinha apreciado eram as linhas de bateria (com as sutilezas de Peart sempre presentes), o uso de violão e violão de 12 cordas e as letras referentes à pesadas críticas a religião, tanto que Hope/Faithless viraram minhas favoritas fácil fácil… também, quem diria! Ninguém mais preciso para expressar o que sinto sobre a questão da fé:

I don’t have faith in faith
I don’t believe in belief
You can call me faithless
I still cling to hope
And I believe in love
And that’s faith enough for me

Outro aspecto muito foda de Peart são seus conhecimentos de biologia/geografia e como ele usa isso nas letras (like a flower in the desert that only blooms at night, like a stone in the river agains the floods of spring… e por aí vai). E em termos de sutileza, acredito que desde os anos 80, ele vem criando um estilo muito particular de bateria. Eu não tenho o repertório musical necessário para expressar, até porque infelizmente não manjo tanto assim de bateria, mas manjo um pouco das partes isoladas e manjo de padrões que são repetidos massivamente ao longo da música que só tem virada quando muda pro refrão ou algo do tipo. E em Snakes and Arrows não poderia ser diferente. Dinâmicas com os pratos, com a caixa são elementos certos, bem como as nada previsívies viradas e quebradeiras. E mesmo nas levadas mais padrão existem elementos que “temperam” a bateria, não é aquela coisa “reta” de AC/DC (não que eles não tenham seu valor) e também não é aquela punhetagem instrumental de thrash metal.

Em termos de guitarra, acredito que a sutileza – apesar dos graves mais do que evidentes – também superam as expectativas. No meio de “power chords” na região grave (mentira! sempre tem uma quarta escondida quando se trata de Alex Lifeson), você encontra lá de “fundo aromático” o violão de 12 cordas. É muito legal, mas tem que ter um fone com bastante nitidez pra ouvir. E sem contar que, em termos de criatividade, prevaleceu o bom gosto do trio para usar formas que aparentemente são simples, mas que na verdade exigem do cérebro mais do que se imagina pra tocar. Alguém aqui já tentou tocar Natural Science? Apesar das quebradeiras, parece fácil, mas NÃO É. As pessoas deveriam valorizar isso muito mais do que tocar 20 notas por segundo. Comparo isso a sexo: do que adianta o cara dar 5 sem tirar se os orgasmos são sofridos e fracos?

Os teclados foram muito bem utilizados também! Ao invés de ser um quarto instrumento na banda (o que frustrava Alex), ele foi um belíssimo pano de fundo para a música, dando uma maior complexidade e volume ao som que, aparamentemente, ficou mais simples. A caralhada de sus2, sus4, nonas, décimas primeiras e décimas sextas que aparecem é algo de saltar os olhos (os ouvidos no caso, hahaha).

O álbum em si parece um grande desabafo à essa sociedade de controle e a esse mundo de aparências. Alguns trechos, colocados em suas devidas proprorções, são coisas pra gente ficar refletindo por horas e horas, sobretudo com a aparente “perturbação” instrumental. Vejam por exemplo este trecho:

Sometimes the fortress is too strong
Or the love is too weak
What should have been our armor
Becomes a sharp and angry sword

Quer uma melhor definição de mecanismo de defesa?

Bem, acredito que agora a inspiração da parte 1 acabou. O texto está longo, divagante, mas ainda assim bom. Só que eu cansei e sei que a leitura também vai ser cansativa. Então vai ter a parte 2. =)

Eu vou publicar aqui uma velharia da qual me orgulhei de ter escrito na época e que me fez sorrir pois me mostrou que o viés geográfico estava evidentemente presente em meu discurso antes mesmo de eu entrar para a faculdade. Na época, este texto curto foi uma síntese do que eu estava vendo em geografia/história/sociologia e tal… gostei mesmo de ler.

Ah sim, esse pequeno post pode ter como trilha sonora a música “Subdivisions” (Rush) – pra unir o útil ao agradável, aqui vai o vídeo com a letra pra acompanhar.

 

Curitiba, 20 de fevereiro de 2006.

Os Dez Mandamentos Para A Sobrevivência Na Sociedade Pós-Moderna

1. Não caminhe contra a multidão. A comunicação desnecessária com desconhecidos deve ser evitada. O fluxo populacional urbano não deve ser de forma alguma desviado do fluxo padrão.

2. Consuma de acordo com o senso-comum silenciosamente combinado pela média burguesia. Compre uma casa, compre um carro em prestação e ostente sempre que puder.

3. Os seus interesses individuais devem ser o cerne de sua vida. Valores como a solidariedade e a compaixão são obsoletos. O crescimento individual está em voga. Seus amigos podem ser seus futuros concorrentes em algum aspecto da sua vida.

4. Seja hipócrita. É a maneira mais eficaz de sobreviver ao individualismo, fazer uma boa apresentação perante a sociedade e agradar quem deve ser agradado.

5. Faça com que seus colegas acreditem que eles são amigos. Não preze a lealdade. Todo o mundo terá um dia em que uma faca será apunhalada pelas costas.

6. Se não deseja se tornar presa, torne-se o predador.

7. Viva para trabalhar. Trabalhar para viver lhe renderá uma demissão.

8. Esqueça a natureza. Desfrutar de um parque aquático asséptico é mais seguro do que uma cachoeira. Ademais, onde há arvores pode haver plantações.

9. Procure não se informar sobre macroeconomia e ignore a massa de miseráveis que paga com o sangue o luxo dos ricos e o conforto da média burguesia.

10. Acredite nas convenções e esqueça por completo suas convicções.

Niilista, não? ^^

Balance

Enquanto eu estava escutando o Rush in Rio 3 e fazendo meu relatório de estágio, começou a tocar Resist. Uma das músicas que  os fãs de Rush (inclusive eu) geralmente costumam “pular” pelo fato de ela ser meio senso-comum e alvo de elogios somente daquelas pessoas que não apreciam uma música mais trabalhada, complexa e difícil de ouvir. Se você tocasse Resist para uma pessoa que gosta de sertanejo, era capaz de ela gostar…

Mas, enfim, por que eu estava falando de Resist mesmo?

Em primeiro lugar, porque, mais uma vez, as letras de Neil Peart me tocam com doses perfeitas de lirismo e conteúdo reflexivo. Nem muito melado (odeio músicas que falem de amores incondicionais) nem inadequadamente cerebral (uma letra não precisa ser um tratado filosófico!), Resist fala de uma das coisas que mais atingem o ser humano: suas dualidades, suas tentações, fragilidades e virtudes… check it out:

I can learn to resist
Anything but temptation
I can learn to co-exist
With anything but pain

I can learn to compromise
Anything but my desires
I can learn to get along
With all the things I can’t explain

I can learn to resist
Anything but frustration
I can learn to persist
With anything but aiming low

I can learn to close my eyes
To anything but injustice
I can learn to get along
With all the things I don’t know

Semana passada eu estava em pleno caos: dormindo pouco, ansiosa e esperando que todas as mudanças que aconteceram, acontecem e vão acontecer dentro de mim ocorressem em questão de segundos (e acredito que a TPM tenha sido uma boa catalisadora do processo). Sinto que ainda estou buscando a mim mesma e, estranhamente, percebi através dessas palavras que eu jogo no mundo me ajudam. Não que eu não tenha amigos – eu tenho poucos e bons deles – mas é muito diferente…

Uma coisa da qual me toquei é que faz muito tempo que eu não tinha a liberdade que estou tendo. Quer dizer, acho que nunca tive tamanha liberdade e acho que meu status de solteira, morando sozinha, sem filhos provê a mim um momento único da minha vida, do qual eu também devo adquirir sabedoria (e aproveitar também, hehehe).

Um dos aspectos que estou começando a “domar” é a angústia da solidão: ocupar meu tempo blogando e ouvindo as músicas que gosto, por exemplo, é algo que começa a trazer o equilíbrio da minha vida. É como diz o velho Piaget: acomodação e assimilação do conhecimento. Todo o meu ser estava envolvido com outro ser… agora tenho que ver o que ficou de mim verdadeiramente, tenho que assimilar o fato de que, se eu quiser, posso simplesmente sair de casa sozinha para caminhar até a praça do Batel e apreciar (ou não) meus próprios pensamentos e minha própria companhia.

Nietzsche* e Sarte** reforçam que os indivíduos devem aprender a fazer isso e eu concordo. Acredito que o diálogo com si próprio faz um ser humano crescer, e muito! Não que eu ache que tenhamos que viver numa ilha (senão eu estaria na profissão errada), realmente acredito no poder da troca de aprendizagem e no enriquecimento entre duas ou mais pessoas que se propõem a se abrir para o diálogo, mas – aqui sendo altamente Hegeliana (e Marxiana) – somente o indivíduo consigo mesmo terá condições de atribuir significado de suas experiências para seu aprendizado. Do contrário, essas experiências estarão passando pelos “filtros da realidade” (citando Nadalin citando Latour) de outras pessoas. E isso não se chama aprendizado, se chama lavagem cerebral.

Eu sou totalmente favorável a um relativismo bem empregado. Do ponto de vista da percepção individual, não existe definição melhor. Neste caso, a “verdade” é relativa pois cada um deveria criar suas “verdades”. Como eu queria ter lido mais sobre filósofos que discutem acerca da verdade para engordar mais esse parágrafo e esses meus argumentos. Anyways, quando o indivíduo não se põe a prova e não para pra pensar na sua vida, infelizmente outras pessoas e/ou instituições o fazem pra ele: religiões, escolas, orientadores, companheiros/as…

Embora tenha provado muito pouco, não consigo me imaginar sem minha liberdade de pensamento e de ação. É como se eu estivesse hibernando e agora tenha despertado com uma certa fome para devorar este novo estado de espirito do qual não desejo abrir mão tão cedo. E como longo é o caminho do aprendizado, ainda tenho que parar e pensar sobre outras questões que, espero eu, que vão se desenrolando do meu pensamento.

Dessa vez vou revisar o texto antes de postar… pronto, revisei)

*”Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia.”

**”Se você sente solidão quando a sós, está em má companhia”