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…que eu preciso escrever! É, vou seguir o conselho do Elton (amigo físico maluco) e soltar meus bofes aqui.

Durante quase todas as férias, entrei numa fase de “negação” da minha carreira enquanto pesquisadora de iniciação científica. Ficava criando coisas para evitar aquela listinha de referências e periódicos que eu tinha feito pra ler nas férias. Mas no fim das contas, meu fator motivacional foi a famosa deadline (data final de entrega). Justamente eu, que sempre critiquei esse péssimo hábito brasileiro acabei me entregando. Foram horas viciando em jogos bobos, assistindo a seriados (em temporadas) e matando o tempo de todas as formas possíveis e imagináveis.

Tudo mudou quando eu recebi um e-mail da minha orientadora com reunião marcada para dia 3 de fevereiro. Aí me tornei uma estudiosa exemplar, lendo e fazendo fichamentos e anotações de “traquejos científicos” que encontrava nos artigos e dissertações que eu ia lendo. Foi legal, aprendi muita coisa assim.

Aí, no dia anterior à reunião, fui dormir tarde pra caralho. Ainda bem que não esqueci de programar o celular. Chegando lá, achando que tinha trabalho pouco, vi que tinha trabalhado mais do que imaginava e ainda ganhei uma estrelinha por ter achado um artigo dum geógrafo francês (minha orientadora fez pós-doc na França…) numa revista da UFF. Aí ela me passou um pequeno questionário (3 perguntinhas meio “ontológicas” – medo!) que ela quer que eu responda na forma de um texto bem elaborado. O problema é que ela é bastante conhecida pela sua exigência. Não é que ela seja sem-noção, mas não aceita pouca bosta… isso me dá frios na barriga mesmo que ela tenha me dado um mês pra escrever.

Fora isso, tenho que me preocupar em apresentar trabalho e encarar toda uma jornada de pesquisadora. E isso custa muito dinheiro… além de eu ter que guardar todos os certificados de eventos que eu fui juntamente com as quatro primeiras páginas do artigo escrito. É pura burocracia por uns pontinhos no seu curriculum lattes… Ao mesmo tempo que você se liberta com a ciência, se constringe dentro da redoma da academia.

E o salário, ó! Pequenininho…

Boa noite, senhoras e senhores!

Ontem tive um raro privilégio nessa vida de estudante… talvez um evento único nessa vida de acadêmica.

Ah, não sei como introduzir isso de uma maneira menos direta: FUI AO “CAFÉ GEOGRAPHIQUÉ” ORGANIZADO PELA PÓS ONDE NINGUÉM MAIS, NINGUÉM MENOS QUE PAUL CLAVAL ESTAVA PRESENTE! Tive essa oportunidade graças à professora Salete, pessoa maravilhosa com quem estou estabelecendo algumas parcerias acadêmicas. =D

Além disso, tive a oportunidade de assistir a palestra sobre paisagens culturais. Fiquei felicíssima da vida quando ele mencionou um livro que comprei e comecei a ler: “Cultural Geography: a critical introduction” do Don Mitchell. Achei que seria uma obra “secundária” pelo fato de nunca ter ouvido falar do autor… mas se Claval leu, certamente fiz uma boa escolha. (Olha a falácia do argumento de autoridade aí, gente!!!)

Paul Claval é um geógrafo Francês com seus 70 e poucos anos cujas obras (especialmente “Geografia Cultural”) foram traduzidas para diversos idiomas. Recebeu o maior prêmio que um geógrafo pode receber: o o Prêmio Vautrin Lud, (este prêmio é conferido por universidades de 50 países).

Foi uma experiência bacana. Eu achei que ia ficar meio acanhada, mas acabei ficando TOTALMENTE acanhada. Não só eu, como todos os pós graduandos (e alguns professores!) ficamos cheios de dedo, tratando o hóme (que escreveu aproximadamente 700 artigos (!)) com bastante receio. De tanto hesitarmos, aquela teoria que John Nash formulou em “Uma Mente Brilhante” sobre a garota mais bonita acabou se aplicando: a pessoa mais “requisitada” acabou ficando sozinha. Nisso, acabei perguntando da temporada dele nos EUA e Canadá, e ele me falou que esteve com ninguém mais, ninguém menos que Yi-Fu Tuan (geógrafo que merece um post sozinho… um autor incrível!).

Eu até formulei pergunas mais complexas para ele durante o debate. A idiota aqui não perguntou… ia dar pano pra manga. Vejam só: o senhor acha que a abordagem da geografia cultural pode reaproximar (ou “reduzir” o dualismo entre) as “geografias” física e humana que tanto se separaram ao longo deste processo de especialização do conhecimento científico?

E então, o que acham, colegas geógrafos?

Yay! Eu já sabia… mas aparentemente algumas pessoas ainda não compreenderam que, apesar de no presente momento histórico alguns campos da ciência (na geografia posso citar o “ramo” da geografia física) acharem que tecnologia implica em evolução científica. Talvez seja por isso que eles utilizem até hoje autores do tempo do guaraná com rolha (60’s é “guaraná com rolha” para produção científica, não acham??? Especialmente quando se trata de algo tão mutante quanto o espaço!). Mas antes que me xinguem, quero fazer um adendo importante: a Geografia Física é mais aberta a diálogos com multiplicadade de métodos que a Humana. Pelo que ando vendo e lendo, tenta cada vez mais buscar trazer o homem. Falta a Humana fazer o contrário também. Shame on them! Como costumo dizer: “Compartilho dos pensamentos do prof. Francisco Mendonça”.

Entretanto, eu, agora num total achismo (isto não é um artigo, não quero citar referência nenhuma senão a minha própria cabeça – pra isso que existem blogs!) pensei um pouco sobre o assunto.

Uma das características fundamentais da ciência é a adoção de um método para fazer observações acerca dos fenômenos. E quando falo em método, muita gente pensa que é simplesmente um checklist (ou to do list) – traduzindo para o bom português, um tarefismo -  sofisticado que você pega de autores respeitados. Bem, se estou falando isso, claro que método não se resume a isso. Sem consultar wikipedia, Popper ou Feyerabend, vou dizer o que minhas vivências enquanto graduanda do segundo ano fizeram eu concluir a respeito do método: “nada” mais é do que um mecanismo mental e operacional para que os pensamentos ocorram com determinados parâmetros aceitáveis, ou seja, que seja algo além do achismo de blogs como este. Não vou aqui citar métodos X, Y e Z (me poupem disso!), mas posso dizer que eles “derivam” de alguns momentos da história da ciência onde algumas pessoas estavam insatisfeitas com o rumo em que o conhecimento estava sendo produzido. Posso citar 3 grandes linhas nas quais a Geografia se respalda enquanto ciência: (neo)-positivismo (não lembro direito a diferença entre as 2), marxismo (embora eu preferisse que houvessem mais marxianos que marxistas no mundo) e fenomenologia (aaah, reparem bem como a terminação “logia” não vem pra doutrinar!!!).

Não preciso nem dizer que isso não existe na tecnologia. Nela, os propósitos e mecanismos de enriquecimento (posso até usar a palavra desenvolvimento sem medo) são diferentes. O método aqui, eu ACHO, está mais relacionado a uma série de tarefismos. Porém, todavia, entretanto, tenta-se a cada segundo superar e ultrapassar o que já foi feito. Tudo isto, graças ao avanço da ciência que descobre novas maneiras de se experimentar coisas…

Enfim, meu achismo vai acabar por aqui. Conversando com um grande amigo físico, com quem tive alguns debates interessantes sobre métodos, concluo que vou conduzir este debate à clássica questão ontológica:

“Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?”

Infelizmente, eu (ainda) não tenho fôlego para desenvolver mais meus argumentos e concluir de maneira arrebatadora dizendo que estou incondicionalmente do lado da ciência. O que posso dizer é que meu posicionamento é este porque ela está intimamente ligada à filosofia. A ciência pode ser tão visionária, quebradora paradigmas e provocativa quanto a filosofia. Esta sim, a verdadeira mãe da ciência, é que move o mundo de verdade… uma pena que agora estejamos na era do comprar e do mecanizar. Talvez seja por isso que tecnologia esteja sendo a moda da vez.

Encerro humildemente meus achismos e me comprometerei a ler mais debates/artigos/livros a respeito da dualidade do título.

This line intentionally left blank. [pensando...]

Domingo à noite não costuma ser um período depressivo para mim. Costumo estar bem-acompanhada de meu counterpart (no sentido Rushiano da coisa…), geralmente fazendo alguma coisa mais útil do que fiz nestas últimas horas. Após sobreviver a uma crise de tédio, um mal-estar no trato gastrointestinal devido a um bobó de camarão e a uma dor de cabeça que foi curada após a segunda tentativa de remédio (primeiro um tylenol 750mg e depois uma overdose de neosaldina gotas), estou tentando reunir algumas idéias interessantes sobre o que me aconteceu e o que vai me acontecer.

Talvez seja melhor seguir a boa e velha cronologia positivista:

•Durante a semana que passou, participei do XV ENG (Encontro Nacional de Geógrafos) na medida em que pude: fui ao evento sem crachá porque me neguei a pagar exorbitantes R$250 devido ao fato de eu não querer me filiar a uma instituição representativa (AGB – associação dos geógrafos brasileiros) que nada representa e nada tem a acrescentar à vida de um(a) estudante de graduação em geografia. Realmente, tudo o que a AGB tem a oferecer aos seus associados é o direito de 1 voto em reuniões, isto é, desde que você esteja com anuidade em dia. Não fiquei satisfeita em pagar R$50 reais com o preço de pagar R$41,50 de anuidade de associação. Isso pra mim soa mais como aquelas políticas de “voto obrigatório”, de cerceamento através de vias monetárias. De democrático, isto não tem nada, embora esteja institucionalmente coerente… ah, sim! Estamos falando de uma associação que encoraja a participação dos estudantes. Será? Que meus colegas do Centro Acadêmico que me perdoem, mas não compactuo com esse tipo de cerceamento financeiro!

Fora isto, o evento me surpreendeu com a qualidade. Reconheço que é bastante complicado fazer algo para um público de aproximadamente 4000 pessoas (um público bastante alto em termos de evento científico), mas ainda bem que eu pude aproveitar cada dia do evento com uma mesa-redonda e/ou comunicação coordenada interessante. Claro que teve aquele probleminha da não-seletividade de trabalhos (política AGBeanas – o que me faz compreender porque a maioria dos cursos de Geografia são nivelados por baixo) publicados e afins, mas o que importa é que aprendi diversas coisas e muitas das reflexões feitas nesse evento vão me acompanhar pelo resto da minha graduação. Descobri que tenho muito o que ler também e que por mais que o corpo docente da UFPR seja muito bom, há muitos horizontes que não terei a oportunidade de ver dentro do curso de graduação que estou cursando, o que me frustra.

Além do evento, tive a oportunidade de conhecer um pouco (pouco mesmo!) da cidade de São Paulo, a mega-metrópole global (tá essa taxonomia talvez não exista!) que não dorme nunca e que atingiu proporções de crescimento que está muito além da minha compreensão de cidade enquanto moradora da provinciana Região Metropolitana de Curitiba. Diante de São Paulo, Curitiba é um aglomeradozinho ínfimo. A diferença entre as duas Regiões Metropolitanas é de 20 milhões, aproximadamente. São Paulo e Região abrigam a população do Paraná!!! (ou se quiserem comparações mais gritantes – a pop. da Argentina) Agora pensem numa estrutura que consiga abrigar (?) um contingente humano tão gigantesco: trânsito com 2 andares (praticamente), metrô, trem, ônibus, viadutos (muitos!), avenidas de 5 faixas em cada sentido e uma verticalização que para mim está chegando perto das grandes metrópoles mundiais. Claro, tudo isso com o cheirinho peculiar que assola os 4 cantos da cidade!

Será tudo isso a máxima em termos de territorialização do capital? Favelas ao lado de empreendimentos imobiliários de classe AAA+. Coitado do Batel. Perto do Jardins, fica pé-de-chinelo… O Park Shopping Barigui perto do Shopping Cidade Jardim vira um zero a esquerda. E não estou exagerando!

O engraçado é ver como o “crescimento” (ou apropriação do capital especulatório) da cidade se dá de forma totalmente randômica (pelo menos pra mim!) ao passo que em Curitiba ainda vemos um forte movimento de periferização. Quero fazer um forte lembrete de todos os termos aqui foram cravados por mim e por minhas observações.

Outra coisa legal, talvez o que possa remeter à alguma semelhança é o centro histórico: nas praças do marco zero de ambas as cidades (Sé e Tiradentes) há muita história que se desvela, especialmente nas catedrais adjacentes a essas praças. É muito intrigante ver como a gênese das cidades não deixa de passar por uma praça, uma igreja, uma instuição que garanta a lei e outra o poder político. São Paulo tem uma arquitetura antiga belíssima pronta para ser explorada, basta que um olhar atento e paciente seja dado em meio a tantos prédios e carros. Como diria nosso Mestre Balhana: um casario maaaravilhoso! Postarei algumas fotos no orkut.

Quanto ao balanço final da minha estadia em São Paulo, eu digo: é muito legal ir para São Paulo. Você volta adorando Curitiba, apesar de todos os problemas emergentes. [O único adendo que faço é em relação ao nosso sistema de transporte: é caro e RUIM! Até o trem é melhor que os "excelentíssimos" biarticulados!]

What now? Depois de um período de férias, retornarei às aulas e ao meu trabalho, agora oficialmente enquanto bolsista de Iniciação Científica. (yay!!!)

Aguardem por mais reflexões.