Dizem que do chão a gente não passa, não é mesmo? E é verdade. Depois de sucessivas quedas, uma hora o terreno parece um pouco menos hostil. As novas formas se tornam mais familiares, os dias mais normais, as noites menos aterrorizantes e as pedras se esfacelam. A névoa baixa e tudo fica mais claro.
Meu rumo nos meus textos está cada vez mais certo. Hoje posso me sentar, ler e escrever com menos dificuldades. Meu sono tá voltando ao normal (pelo menos acordar todos os dias quase no mesmo horário eu consigo) sem muita interferência, enfim… parece que o mergulho nas águas abissais chegou ao fim.
O engraçado é que esse fim de estado de confusão vem justamente quando eu estou prestes a entrar em outro: terapia não é fácil. E a terapeuta já começa fazendo pergunta difícil! Talvez seja justamente pra restaurar: trazer as belezas duma obra antiga que foi se desgastando com o tempo, ou então talvez restautrar venha no sentido de recomeçar: de promover uma grande limpeza para mantê-la.
Muitos anos de fraquezas e angústias minha vida foram simplesmente colocados em uma gavetinha que teve seu lacre rompido por um episódio bastante complicado. E quando elas vieram a tona, simplesmente me cegaram e me fizeram reviver uns anos negros da minha vida… e as perguntas que foram endereçadas a mim reviveram partes ruins não só da fase adulta, como também na infância e na adolescência…
…e o processo continuará.
Calmo…
