É, pessoal. Depois de meses escapando do blog e, coincidentemente, dos meus problemas pessoais, agora provavelmente terei que mudar. E mudar definitivamente. Me tratar, me curar. Olhar para o passado e fazer uma reflexão profunda. Resgatar os aprendizados e as mudanças que se operaram em mim nos últimos anos e dar um novo sentido pra minha vida no presente.
Buscar a felicidade… um objetivo tão simples, tão banal, tão bonito e ao mesmo tempo tão complicado, tortuoso, frustrante. Como é comum no ser humano ter emoções conflituosas numa mesma circunstância, não? Triste, mas aliviado. Com raiva, mas com medo. Feliz, mas com ressentimentos. Repulsivo, mas curioso. Expansivo, mas solitário. Sorridente, mas raivoso. Explodindo de raiva, mas polido. Diplomático, porém intolerante. Inquisidor, porém preocupado. Corajoso, porém inseguro. Convicto, mas tímido.
Como é que um ser humano pode ser pleno repleto de tanta dubeidade em seu existir? E porque eu me sinto tão impelida a fazer tantas perguntas sem resposta? Será meu espírito científico, uma fase de incertezas (mais uma? achei que a adolescência era isso!) ou será um eterno analista (tecnicamente podemos chamá-lo de vírus neuroquímico?) que existe dentro da minha cabeça que me motiva a dar um monte de nós nela?
Existem tantas pessoas que se contentam com a ignorância dos aspectos mais subjetivos de sua existência? Trabalham, compram, fazem musculação, casam, têm filhos, trocam de carro, compram um óculos Ray Ban original, pagam uma viagem pra Europa em 12x, pescam, vão à igreja, compactuam com a maioria dos acordos sociais implícitos nessas práticas sem maiores complicações. E eu me sinto num mundo diferente delas. Num mundo onde fico me perguntando da minha existência, da minha coexistência (pra falar uma palavra que alguém gosta…), da minha (in)competência acadêmica (MUITO oscilante ainda), da minha competência como amiga (cada vez melhor)… e, agora, da minha incompetência enquanto “mulher”.
Todas essas 3 variantes são novas na minha vida. Antes eu não me preocupava seriamente com academia, era uma amiga incompetente e uma, creio eu, boa companheira. E gostava muito desse papel. E gostava muito de ter um companheiro.
Algo me incomoda agora nessa nova jornada. Embora eu tenha a plena certeza de que as mulheres não precisem dum homem para se sentirem completas, o que me assusta nisso? A solidão ou a falta de homem? São mutuamente excludentes? Sinceramente, acredito que em muitos aspectos da minha vida eu me virei sozinha. Isso era quase uma obsessão na adolescência. A minha luta pela minha autonomia. Hoje, conversando com jeito, poderia voltar a morar com meus pais. Mas faço absoluta questão do “meu” teto, da minha liberdade, da minha autonomia. Não que eu seja egoísta, pelo contrário, gosto muito de compartilhar esse espaço. Mas a questão é que prezo esta liberdade.
Só que ao mesmo tempo, essa liberdade me acomete duma solidão. Pareço estar numa agorafobia emocional. Será isso? Que borderline. ¬¬
Se minha existência é fruto de tanta reflexão e trabalho – portanto, de estima – por que a presença do outro, do companheiro, do contraponto me faz falta? Isto é tão errado assim? Lembro-me que fiz a mesma pergunta quando terminei com o Marlon (e está até registrada neste blog). Minha última experiência foi recheada de bastante decepções, o que, em condições normais de pressão e temperatura induziria a um ceticismo, a um afastamento, a um distanciamento de uma relação mais íntima. Entretanto, eu ainda consigo enxergar o valor e a importância disso na minha vida e continuo a buscar.
Seria, então, uma carência emocional (como alguns podem me acusar)? Ou será uma busca como qualquer outra tal como a minha busca pela verdade e pelos porquês (como disse meu sábio amigo Carlos Rosa)?
Sei que não posso afortunar os meus amigos (e nem um companheiro fictício) com tanto espírito reflexivo. Talvez um ou outro tenha estômago. Aos que tiveram que engolir tanta divagação sobre tanta profundidade, ficaram aborrecidos e não me falaram, minhas sinceras desculpas e agradecimentos. Tá mais do que na hora de eu mergulhar de vez em meu inconsciente, de procurar alguém que possa, de fato, me orientar, não opinar a respeito. Debate e orintação são dois processos diferentes. E ninguém tem a obrigação de me orientar. Nem mesmo meus pais a essa altura do campeonato.
Tenho que descobrir, também, porque levo tudo tão a sério. Embora disso eu saiba a resposta. Provavelmente é pelos constantes abandonos que sofri durante minha adolescência. Provavelmente também porque eu não sabia se poderia contar com os amigos que tinha por muito tempo. Era um processo mútuo de abandono e afastamento. Isso, hoje, somado com meu mais recente “trauma” adquirido (pois já não permiti que ele tenha se tornado um em várias vezes), tenha incitado certas inseguranças anteriores e, ao mesmo tempo, uma certa vulnerabilidade. Minha seriedade é, então, uma espécie de garantia que tento estabelecer pra sofrer menos. A isto damos o nome de mecanismo de defesa, certo? Sim, eu falo DEMAIS dos mecanismos alheios, mas sou capaz de reconhecer os meus. E agora, falo mesmo. Sem medo de expor estas fraquezas.
A isto se chama coragem, se não me engano. A capacidade de olhar pra dentro de si com sinceridade. A capacidade de usar o senso crítico consigo mesmo e reconhecer que precisa de ajuda e de uma luz no fim do túnel. Certamente, tudo é novo pra mim. Por isso, talvez, que eu tenha uma forte identificação com meus alunos. Talvez eu, ao invés de ter medo, procure me fascinar com esta nova fase. Em alguns aspectos, estou tentando: saio mais com meus amigos, valorizo a presença de cada um que chamei para dialogar comigo. Valorizo as presenças, inclusive de meus familiares. Ou pelo menos acho que consigo demonstrar valor. Acho que atribuir valor da existência de outros seres humanos a sua existência, para eu que sempre fui uma “wolverine” da vida, é um ato de coragem muito maior do que peitar pessoas que venham debater comigo. Como disse o Lincoln, meu padrasto, consigo peitar uns 10 numa briga. E isso certamente não faz de mim mais forte, não por dentro…
Agora acredito que tenha tomado os verdadeiros passos: estou me tornando mais funcional, disposta a viver e abraçar a solidão (embora não faça questão de manter essa promessa como fardo) e, agora, espero ter um horizonte ampliado com pessoas qualificadas para me ajudarem nisso: psicólogos, filósofos… no mais profundo diálogo entre a razão e a emoção, que minha jornada comece.
(Um dia me lembrem de fazer um post sobre morar sozinha, um sobre meus aprendizados com os bichos e um sobre aprendizado com gente ultra-qualificada)
Beijos!