Olá pessoal! Sentiram minha falta? I guess not… tinha até esquecido deste blog embora não deveria ter feito isso. Mas infelizmente minha vidinha nestas férias está com um monte de sujeiras saindo por debaixo do tapete e é agora é hora de re-arranjar algumas coisas para deixar o ambiente mais agradável.

Tá, ignorem o choro livre do parágrafo anterior. Só pra variar, tive uma das minhas epifanias a partir de fatos totalmente diferentes que me fizeram pensar e do nada me motivaram a escrever um post num dia insuportável para dormir. São 3h da manhã e a lua está cheia. Não me recordo bem quem falou que no dia em que a lua fica cheia há pessoas que têm dificuldade em dormir. Coincidência ou não, é a segunda vez que isso me acontece. Ou talvez seja meu inferno astral. Sei lá.

Bem, antes que eu perca o fio da meada, gostaria de apresentar o tema do post de hoje: trata-se da minha indignação das pessoas terem idolizar ícones da mídia ou da moda (como se fizesse muita diferença). Para meu desgosto, isto ocorre em diversas esferas, idades, gêneros e religiões, especialmente religiões eu diria. Quer figura mais platônica que o deus cristão? (aaaaaaaaaaah, entenderam a piada? hãn?!? Quem entendeu ganha um doce!)

Então, o que me irrita nessa história toda é que na grande maioria dos casos, as pessoas ficam platonizando (gostaram do verbo?) um indivíduo que na verdade não existe. Sem contar que se esse indivíduo possui destaque, não foi por seu trabalho exclusivo. Houve muitas pessoas que passaram na vida dele(a) que às vezes nem sabem do valor e da importância que outros “normais” têm para que ele(a) possa viver sob holofotes (metafóricos ou não)E também não acredito em histórias gloriosas. “Toda vitória oculta uma abdicação”. Muitas vezes, para fazermos algumas conquistas, é necessário abandonar um pouco de si e, mais triste ainda, de algumas convicções. Acredito que esta seja a parte mais difícil de “adultecer”.

Enfim, voltemos às indagações do herói/ídolo. Por que precisamos de um? Para platonizar que tudo é possível, que um dia seu filho vai ser tão “bom” quanto o Robinho (ou qq outro jogador) e que existe de fato um príncipe encantado esperando no portão? Eu não sei… não sei desde quando parei de idealizar pessoas e passei a me observar constantemente. É uma escolha fácil? Claro que não, assim como para alguns (não para mim, ainda bem!) não deve ser fácil abdicar de um deus para se tornar totalmente responsável com sua vida, seus atos e sua existência no mundo!

Outro aspecto do ídolo é sua imutalidade, sua imortalidade (já viu algum ídolo morrer?) e sua retidão de caráter acima de qualquer suspeita. Nesse aspecto, prefiro os deuses gregos que assumiam seus traços humanos abertamente, embora até mesmo os sérios desvios de comportamento, quando bem manipulados e trabalhados, podem gerar uma qualidade inata. Vou dar um exemplo de um geógrafo de referência nacional que recentemente palestrou na IV semana acadêmica de geografia de forma bastante negligente e despreparada. De repente um descaso de um debatedor se torna motivos de riso e carisma. “Ah, é o jeito do [Jurandyr] Ross mesmo…”

Sinceramente, deveríamos idolizar todos aqueles que fazem os milagres de todo o dia. Acordar de manhã e saber que seu lixo não está na frente de casa de maneira “miraculosa”, saber que os dados do seu banco estão sendo cuidados da melhor maneira possível, ter pessoas capazes de ouvir as piores humilhações e ter disposição para criar uma família que está em apuros financeiros, ver um jovem que a vida toda foi emburrecido pelo ensino público encontrar forças para estudar para um vestibular e passar… isso são milagres. Acontecem todos os dias, juntamente com muito assassinato, roubo (de galinha e de colarinho branco) e uma constante desumanização da humanidade, mas acontecem.

Ah, e depois desse fim poético, quase bucólico, as pessoas vêm me dizer que eu sou uma frustrada? Bem, ao invés de louvar uma farsa e um recorte de um personagem de novela da globo, escolhi enxergar as forças que ainda sustentam a beleza da vida, mesmo ela estando cada vez mais escassa.

E depois o povo vem dizer que ateu é pessimista? Ah, qual é!

Sim! Odeio Platão!

2 Comentários

  1. Você dissse que Deus é um dos maiores ídolos que existe.
    Apesar de ter falado com estas palavras, foi a idéia que você passou.
    Aí, eu te pergunto: Não seria Deus um dos maiores fãs do universo?
    Você provavelmente me perguntaria: Porquê?
    E eu te responderia: porque ele cuida de todos os seus filhos e torce e se enche de alegria pelo sucesso de seus filhos, criaturas de Deus.
    Acredito que platonismo, seja lá o que isso seja, se souber me dizer me fale porque eu não sei é isso que as pessoas falam: Sempre quando surge uma oportunidade lá vem o tal do platonismo, platônico e outras variantes.
    Ach que as pessoas são fãs desse tal de “platônico”.

    • Vamos explicar então… Vc já ouviu falar em “amor platônico”? Provavelmente sim, né? Então, deus seria mais uma dessas idealizações perfeitas onde as pessoas depositam todas as suas expectativas sobre a existência de um ser que de todos cuida, não é mesmo? E quando se surge a oportunidade de criticar a Igreja Cristã, obviamente vem o platonismo pois o cristianismo deve MUITO às idéias de Platão, que foram “disseminadas” por Tomás de Aquino (ou Santo Agostinho, sempre me confundo!). Posso estar enganada, mas o “reino de deus” é bastante análogo ao “mundo das idéias”. Dê uma rápida pesquisa no google e verá a concepção dessas duas coisas.


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