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Domingo à noite não costuma ser um período depressivo para mim. Costumo estar bem-acompanhada de meu counterpart (no sentido Rushiano da coisa…), geralmente fazendo alguma coisa mais útil do que fiz nestas últimas horas. Após sobreviver a uma crise de tédio, um mal-estar no trato gastrointestinal devido a um bobó de camarão e a uma dor de cabeça que foi curada após a segunda tentativa de remédio (primeiro um tylenol 750mg e depois uma overdose de neosaldina gotas), estou tentando reunir algumas idéias interessantes sobre o que me aconteceu e o que vai me acontecer.

Talvez seja melhor seguir a boa e velha cronologia positivista:

•Durante a semana que passou, participei do XV ENG (Encontro Nacional de Geógrafos) na medida em que pude: fui ao evento sem crachá porque me neguei a pagar exorbitantes R$250 devido ao fato de eu não querer me filiar a uma instituição representativa (AGB – associação dos geógrafos brasileiros) que nada representa e nada tem a acrescentar à vida de um(a) estudante de graduação em geografia. Realmente, tudo o que a AGB tem a oferecer aos seus associados é o direito de 1 voto em reuniões, isto é, desde que você esteja com anuidade em dia. Não fiquei satisfeita em pagar R$50 reais com o preço de pagar R$41,50 de anuidade de associação. Isso pra mim soa mais como aquelas políticas de “voto obrigatório”, de cerceamento através de vias monetárias. De democrático, isto não tem nada, embora esteja institucionalmente coerente… ah, sim! Estamos falando de uma associação que encoraja a participação dos estudantes. Será? Que meus colegas do Centro Acadêmico que me perdoem, mas não compactuo com esse tipo de cerceamento financeiro!

Fora isto, o evento me surpreendeu com a qualidade. Reconheço que é bastante complicado fazer algo para um público de aproximadamente 4000 pessoas (um público bastante alto em termos de evento científico), mas ainda bem que eu pude aproveitar cada dia do evento com uma mesa-redonda e/ou comunicação coordenada interessante. Claro que teve aquele probleminha da não-seletividade de trabalhos (política AGBeanas – o que me faz compreender porque a maioria dos cursos de Geografia são nivelados por baixo) publicados e afins, mas o que importa é que aprendi diversas coisas e muitas das reflexões feitas nesse evento vão me acompanhar pelo resto da minha graduação. Descobri que tenho muito o que ler também e que por mais que o corpo docente da UFPR seja muito bom, há muitos horizontes que não terei a oportunidade de ver dentro do curso de graduação que estou cursando, o que me frustra.

Além do evento, tive a oportunidade de conhecer um pouco (pouco mesmo!) da cidade de São Paulo, a mega-metrópole global (tá essa taxonomia talvez não exista!) que não dorme nunca e que atingiu proporções de crescimento que está muito além da minha compreensão de cidade enquanto moradora da provinciana Região Metropolitana de Curitiba. Diante de São Paulo, Curitiba é um aglomeradozinho ínfimo. A diferença entre as duas Regiões Metropolitanas é de 20 milhões, aproximadamente. São Paulo e Região abrigam a população do Paraná!!! (ou se quiserem comparações mais gritantes – a pop. da Argentina) Agora pensem numa estrutura que consiga abrigar (?) um contingente humano tão gigantesco: trânsito com 2 andares (praticamente), metrô, trem, ônibus, viadutos (muitos!), avenidas de 5 faixas em cada sentido e uma verticalização que para mim está chegando perto das grandes metrópoles mundiais. Claro, tudo isso com o cheirinho peculiar que assola os 4 cantos da cidade!

Será tudo isso a máxima em termos de territorialização do capital? Favelas ao lado de empreendimentos imobiliários de classe AAA+. Coitado do Batel. Perto do Jardins, fica pé-de-chinelo… O Park Shopping Barigui perto do Shopping Cidade Jardim vira um zero a esquerda. E não estou exagerando!

O engraçado é ver como o “crescimento” (ou apropriação do capital especulatório) da cidade se dá de forma totalmente randômica (pelo menos pra mim!) ao passo que em Curitiba ainda vemos um forte movimento de periferização. Quero fazer um forte lembrete de todos os termos aqui foram cravados por mim e por minhas observações.

Outra coisa legal, talvez o que possa remeter à alguma semelhança é o centro histórico: nas praças do marco zero de ambas as cidades (Sé e Tiradentes) há muita história que se desvela, especialmente nas catedrais adjacentes a essas praças. É muito intrigante ver como a gênese das cidades não deixa de passar por uma praça, uma igreja, uma instuição que garanta a lei e outra o poder político. São Paulo tem uma arquitetura antiga belíssima pronta para ser explorada, basta que um olhar atento e paciente seja dado em meio a tantos prédios e carros. Como diria nosso Mestre Balhana: um casario maaaravilhoso! Postarei algumas fotos no orkut.

Quanto ao balanço final da minha estadia em São Paulo, eu digo: é muito legal ir para São Paulo. Você volta adorando Curitiba, apesar de todos os problemas emergentes. [O único adendo que faço é em relação ao nosso sistema de transporte: é caro e RUIM! Até o trem é melhor que os "excelentíssimos" biarticulados!]

What now? Depois de um período de férias, retornarei às aulas e ao meu trabalho, agora oficialmente enquanto bolsista de Iniciação Científica. (yay!!!)

Aguardem por mais reflexões.

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