Arquivos Mensais: Julho 2008

Agora oficialmente sou bolsista PIBIC, isto é, agora meu ilustre salário de R$300 reais e eu estou oficialmente inserida nos meandros das pesquisas e nas fogueiras das vaidades. Yay?

Em meu primeiro dia de “trabalho” enquanto bolsista de Iniciação Científica, fui “obrigada” (estou usando o jargão da institução) a comparecer à palestra de “início das aulas” do segundo semestre letivo da UFPR. Com muita expectativa, fui ouvir o que os ilustres palestrantes tinham a dizer sobre pesquisa, “desenvolvimento”, ciência (tá, esses caras confundem ciência com tarefismo) e tecnologia (ha ha ha… quem é o Brasil pra falar de criação de tecnologia?).

Primeiramente houve uma propaganda palestra com a pró-reitora da PRPPG (se não me engano, Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação) com o atual “scenario” da pesquisa na nossa Universidade. Após isso, a Reitora em Exercício Márcia Helena Mendonça proferiu algumas palavras como é de praxe e, por último, o palestrante convidado, Marco Antonio Zago. Adivinha a graduação do homem? Medicina… Nada contra os médicos, mas só acho que eles são supervalorizados. Inclusive, agora abrindo um parêntesis, adoro House!

Voltando ao foco do post – coisa que foi difícil manter durante a palestra – ou seja, da palestra, confesso que quase me retirei do recinto (um auditório roxo e amarelo… “mó legal”, como diz meu amigo paulistano da gema Elton) quando os primeiros slides foram colocados. Para dar um exemplo de como a tecnologia e a ciência geram desenvolvimento e bons resultados para o país, o cara me deu o maior dos exemplos sem-noção que vi na minha vida (claro, enquanto geógrafa pensarei assim): ele usou como exemplo de grandesíssima tecnologia a destruição massiva do cerrado. Claro que ele não usou estas palavras mas falou nos seguintes termos: o Cerrado, (ex-)ecossistema que cobre mais de 50% do território nacional – sem contar a Amazônia – sempre foi um “entrave” na produção de alimentos do país. Com as tecnologias de tratamento de solo, toda a área que outrora era inutilizável, agora se transformou em latifúndios obtidos por grilagem extensas plantações de… adivinhem… SOJA e GADO!!! Realmente, durante minha viagem para Rondônia, as paisagens mais frequentes eram os mares de soja recortados por alguns locais de engorda de gado. Lembro-me de muitos colegas perguntarem do belo cerrado que é belamente ilustrado através de fotografias de livros didáticos de georafia… agora ele se foi. O que sobraram foram algumas simpáticas emas que vimos no caminho.

Enfim, como alguém em sã consciência pode se orgulhar em destruir massivamente um bioma em função de interesses comerciais e “UDRianos”? Será que o fim desta “estrada do desenvolvimento” beira também no fim de nossa biodiversidade? E não adianta vir falar em sustentabilidade, pois esse jargãozinho forjado pela ONU (bem como os jargão de “país subdesenvolvido”) nada mais representa vagas boas-intenções cercadas de marketings vindos direto do inferno. Ah, só para finalizar este assunto: os produtores da miraculosa tecnologia – 2 brasileiros e 1 americano - ganharam o prêmio nobel da paz. Hehe, nada mais coerente… anos mais tarde foi a vez do Al Gore e do IPCC (international pannel for climatic changes).

Olha, o resto da palestra não foi muito relevante para mim. Foi aquele mesmo discurso tecnocrata (por favor, esqueçam a tecnocracia de Mago, RPGistas… hehehehehe) que menciona a falta de doutores do Brasil, o problema de tê-los nas universidades, a falta de pesquisadores geradores de novas tecnologias nas indústrias… Duh! Desde quando um clássico dependente de tecnologias vai ter pesquisadores em suas indústrias? Que indústria/empresa se dispõe a pagar um pesquisador Brasileiro? Aqui é a terra dos peões (engenheiros e “analistas de sistemas”, em especial) de alta qualificação. Talvez seja por isso que 80% dos doutores estejam no Brasil e 95% da pesquisa no Brasil seja feita em Universidades Públicas!

Eis um trecho da matéria publicada na UFPR:

Algumas áreas consideradas como estratégicas pelo Conselho seriam a nanotecnologia, os biocombustíveis, o programa espacial e nuclear, mar e Antártica, meteorologia e mudanças climáticas, saúde e biotecnologia, desenvolvimento sustentável da Amazônia, entre outras.

Uma outra crítica que eu gostaria de tecer foi a total ausência por parte dos estudantes de movimento estudantil que tanto criticam o academicismo, a ditadura do CNPq, as políticas de pesquisa, enfim… todo aquele papo que só é bonito durante as rebeldias de fim de semana. Na hora de conversar de gente grande para gente grande, todos os revolucionários sustentados pelos pais simplesmente somem.

Ah sim, quando falei em tecnocracia, por definição falei da total indiferença demonstrada em relação às Ciências Humanas, Artes e Letras. Até mesmo as Sociais Aplicadas e a Jurídica ficaram de fora, justamente umas das que mais enaltecem o caráter institucional das coisas… (!)

Fico por aqui. Sinto que escrevi um long post.

This line intentionally left blank. [pensando...]

Domingo à noite não costuma ser um período depressivo para mim. Costumo estar bem-acompanhada de meu counterpart (no sentido Rushiano da coisa…), geralmente fazendo alguma coisa mais útil do que fiz nestas últimas horas. Após sobreviver a uma crise de tédio, um mal-estar no trato gastrointestinal devido a um bobó de camarão e a uma dor de cabeça que foi curada após a segunda tentativa de remédio (primeiro um tylenol 750mg e depois uma overdose de neosaldina gotas), estou tentando reunir algumas idéias interessantes sobre o que me aconteceu e o que vai me acontecer.

Talvez seja melhor seguir a boa e velha cronologia positivista:

•Durante a semana que passou, participei do XV ENG (Encontro Nacional de Geógrafos) na medida em que pude: fui ao evento sem crachá porque me neguei a pagar exorbitantes R$250 devido ao fato de eu não querer me filiar a uma instituição representativa (AGB – associação dos geógrafos brasileiros) que nada representa e nada tem a acrescentar à vida de um(a) estudante de graduação em geografia. Realmente, tudo o que a AGB tem a oferecer aos seus associados é o direito de 1 voto em reuniões, isto é, desde que você esteja com anuidade em dia. Não fiquei satisfeita em pagar R$50 reais com o preço de pagar R$41,50 de anuidade de associação. Isso pra mim soa mais como aquelas políticas de “voto obrigatório”, de cerceamento através de vias monetárias. De democrático, isto não tem nada, embora esteja institucionalmente coerente… ah, sim! Estamos falando de uma associação que encoraja a participação dos estudantes. Será? Que meus colegas do Centro Acadêmico que me perdoem, mas não compactuo com esse tipo de cerceamento financeiro!

Fora isto, o evento me surpreendeu com a qualidade. Reconheço que é bastante complicado fazer algo para um público de aproximadamente 4000 pessoas (um público bastante alto em termos de evento científico), mas ainda bem que eu pude aproveitar cada dia do evento com uma mesa-redonda e/ou comunicação coordenada interessante. Claro que teve aquele probleminha da não-seletividade de trabalhos (política AGBeanas – o que me faz compreender porque a maioria dos cursos de Geografia são nivelados por baixo) publicados e afins, mas o que importa é que aprendi diversas coisas e muitas das reflexões feitas nesse evento vão me acompanhar pelo resto da minha graduação. Descobri que tenho muito o que ler também e que por mais que o corpo docente da UFPR seja muito bom, há muitos horizontes que não terei a oportunidade de ver dentro do curso de graduação que estou cursando, o que me frustra.

Além do evento, tive a oportunidade de conhecer um pouco (pouco mesmo!) da cidade de São Paulo, a mega-metrópole global (tá essa taxonomia talvez não exista!) que não dorme nunca e que atingiu proporções de crescimento que está muito além da minha compreensão de cidade enquanto moradora da provinciana Região Metropolitana de Curitiba. Diante de São Paulo, Curitiba é um aglomeradozinho ínfimo. A diferença entre as duas Regiões Metropolitanas é de 20 milhões, aproximadamente. São Paulo e Região abrigam a população do Paraná!!! (ou se quiserem comparações mais gritantes – a pop. da Argentina) Agora pensem numa estrutura que consiga abrigar (?) um contingente humano tão gigantesco: trânsito com 2 andares (praticamente), metrô, trem, ônibus, viadutos (muitos!), avenidas de 5 faixas em cada sentido e uma verticalização que para mim está chegando perto das grandes metrópoles mundiais. Claro, tudo isso com o cheirinho peculiar que assola os 4 cantos da cidade!

Será tudo isso a máxima em termos de territorialização do capital? Favelas ao lado de empreendimentos imobiliários de classe AAA+. Coitado do Batel. Perto do Jardins, fica pé-de-chinelo… O Park Shopping Barigui perto do Shopping Cidade Jardim vira um zero a esquerda. E não estou exagerando!

O engraçado é ver como o “crescimento” (ou apropriação do capital especulatório) da cidade se dá de forma totalmente randômica (pelo menos pra mim!) ao passo que em Curitiba ainda vemos um forte movimento de periferização. Quero fazer um forte lembrete de todos os termos aqui foram cravados por mim e por minhas observações.

Outra coisa legal, talvez o que possa remeter à alguma semelhança é o centro histórico: nas praças do marco zero de ambas as cidades (Sé e Tiradentes) há muita história que se desvela, especialmente nas catedrais adjacentes a essas praças. É muito intrigante ver como a gênese das cidades não deixa de passar por uma praça, uma igreja, uma instuição que garanta a lei e outra o poder político. São Paulo tem uma arquitetura antiga belíssima pronta para ser explorada, basta que um olhar atento e paciente seja dado em meio a tantos prédios e carros. Como diria nosso Mestre Balhana: um casario maaaravilhoso! Postarei algumas fotos no orkut.

Quanto ao balanço final da minha estadia em São Paulo, eu digo: é muito legal ir para São Paulo. Você volta adorando Curitiba, apesar de todos os problemas emergentes. [O único adendo que faço é em relação ao nosso sistema de transporte: é caro e RUIM! Até o trem é melhor que os "excelentíssimos" biarticulados!]

What now? Depois de um período de férias, retornarei às aulas e ao meu trabalho, agora oficialmente enquanto bolsista de Iniciação Científica. (yay!!!)

Aguardem por mais reflexões.

Boa noite aos leitores que ainda têm paciência!

Primeiramente, eu gostaria de me desculpar por estar mudando de blog em uma freqüência tão indesejada. Acredito que mudar de blog num intervalo de menos de 6 meses é, no mínimo, leviano. Entretanto, acredito que a mudança tenha sido pra melhor. :)

Para começar, vou especificar os porquês de eu estar [re]criando este blog. Primeiramente é para registro interno, isso quer dizer que muitas vezes tenho idéias que não são aproveitadas e compartilhadas. Isso para mim é como observar uma supernova num telescópio: você sabe que a estrela já morreu. Pior: morreu há alguns milhares/milhões de anos atrás. Ultimamente minhas idéias e reflexões não passam de supernovas e isto em nada contribui para meu crescimento pessoal.

Em segundo lugar, gostaria de ter um local apropriado para escrever com a devida extensão de discurso necessária para poder expressar algo. Orkut não tem um formato adequado pra isso e, sinceramente, o utilizo como uma maneira de comunicação e não de expressão.

Em terceiro – e talvez o mais importante – quero assumir como compromisso de postar reflexões que vão ocorrendo ao longo da sucessão de dias, meses e anos. Acredito fortemente que para mudarmos a realidade precisamos em primeiro lugar observá-la. Além disso, precisamos estar atentos às maneiras com que interagimos com ela. A vida acaba se tornando um “tarefismo” e uma geração e destruição de células se simplesmente passamos por ela com nossos compromissos e afazeres. Viver, na minha concepção, significa estar envolvido no aqui e no agora. Isso implica em reflexão, em auto-crítica e em observação. Caso não façamos isso, estamos condenados a alimentar a máquina do mercado pelo ato de replicar e matar células do nosso organismo.

Viver – no sentido pleno da palavra – requer responsabilidade e coragem!

“Somos condenados a ser livres.” (Jean-Paul Sartre)