Trilha Sonora pro Post:
http://www.youtube.com/watch?v=eRn4x3jdFtE
http://www.youtube.com/watch?v=T5OmzUEm504
Buenas, pessoal. Mais um post da série dos 12 passos. Gostei do processo criativo. Me força a escrever por acá pra desabafar um pouco sobre as vicissitudes da vida e clarear um pouco as vistas. (Por favor, pedantismo ortográfico-gramatical-semântico, não)
Nessa minha lida de vida acadêmica e mestranda, entre muita cafeína y otras cositas más, fiquei pensando com meus botões como fazer para melhorar meu processo criativo e, principalmente, como posso torná-lo mais produtivo. Precisei também parar pra pensar sobre minha atual condição: uma pessoa que passa boas horas de seu dia na frente do computador lendo e/ou me preocupando com prazos, palavras, referências, sinônimos, etimologia, epistemologia e afins.
Até aí, nada demais pros dilemas acadêmicos no geral. Mas o que me incomoda é que eu não tinha – e ainda não tenho – A MENOR NOÇÃO de como sobreviver e, principalmente, viver em tamanha introspecção e, no meu caso, CAOS MENTAL. Não que eu seja louca, mas meu pensamento não é NADA linear, não tenho NENHUM método fixo de estudo e NENHUMA rotina, salvo pequenas coisas que tenho que fazer. Ao mesmo tempo, tem uma pilha de coisas “práticas” que preciso fazer que tenho evitado: cozinhar (o que me faz gastar uma grana desnecessária), tirar a carteira de motorista, ir ao cabeleireiro, fazer meu curso de auto-maquiagem, tratamentos de beleza são algumas das coisas que estou negligenciando e postergando.
Nessas andanças sofridas, depois de muito matear e conversar comigo mesma e com outras pessoas, inclusive em terapia, estou conseguindo vislumbrar (ou seja, revelar) algumas pequenas coisas que eu gostaria de compartilhar com o mundo pois, creio eu, pode ajudar algumas pessoas meio “lunáticas” e “mentalmente efervescentes” como eu.
Parei, simplesmente parei de me preocupar com horário de estudo. Às vezes é o sol da manhã que me motiva, outras vezes é o silêncio da madrugada… e ocasionalmente eu perco a hora e até mesmo ligações telefônicas quando me abstraio num pensamento ou num artigo. Isso pra mim é uma GRANDE vitória. Foco. São esses poucos momentos em que FOCO que consigo produzir boa parte da minha produção.
O ritmo de leitura é outra coisa que me preocupava DEMAIS. Eu achava que tinha lido pouca coisa em um mês (uns 10-15 artigos e capítulos de livros). Pois é, descobri, através do meu orientador que isso não é pouco. Ainda estou cética quanto a isso, pois o cara é uma máquina de leitura e produtividade. Mas também não posso me deixar contaminar por essa comparação, até porque ele está “só” 30 anos na minha frente. Enquanto eu tô com 24, ele tá com 54. Creio e desejo que até lá eu tenha tempo de fazer boa parte das pesquisas que tenho em mente nesse “curto” prazo de tempo.
Estou também ansiosa com relação à minha organização. Tanto pra leitura, quanto pra espaços físicos (quarto/casa) quanto pros meus horários. Agora são 22h48 e daqui a pouco vou esquentar uma janta pra mim. E eu tomei uma tentativa de chimarrão às 20h, ou seja, ainda tem tempo pra eu me enrolar um tanto aqui.
Entretanto, entre tanto drama, acabei aprendendo um pouco mais sobre mim mesma e descobri algumas coisas interessantes que podem ajudar ao estudo de qualquer um:
1. PEQUENAS METAS DIÁRIAS: nada de ficar pensando que em 1 mês vou ler 5 livros. Eu falo que “em 1 dia vou ler capítulo X e o artigo Y”.
2. SEPARAR POR TEMÁTICA: como tenho vários assuntos pra ler, então tenho que dosar minhas leituras sobre eles pra não dar ênfase demais num assunto e enfraquecer outro. No meu caso, tenho feito da seguinte forma: Estética Performática, Geografia da Representação/Não Representação, Dvorak, Romantismo, Nacionalismo… e a partir da intersecção desses “círculos temáticos”, vou construindo as minhas produções intelectuais.

Um diagrama de Euler - Preciso Fazer o meu!!!
3. VIDA SOCIAL/CULTURAL: indispensável mesmo! Ainda mais com verdadeiros amigos que te motivam e reconhecem as qualidades que me são tão custosas a ver em mim mesma. Ontem mesmo me dei conta de que estou virando um “monstrinho”… só tenho que agradecer à Nádia por isso. E também a vida social (e as redes sociais) suscitam idéias! A saída da bolha intelectual também é indispensável pois, como disse Einstein, “uma mente quando se abre nunca volta ao seu tamanho original”. Ou algo do tipo. Ou seja, a moral da história é: sair do cotidiano, se expor a situações diferentes, conversar com muitas pessoas, rir muito, desabafar e viver com mais amor.
4. VIDA AFETIVA E FAMILIAR: É… é importante pra caralho, pelo menos pra mim. Me lembro de como é importante ter alguém que segure sua mão naqueles momentos de maior necessidade. Eu, sozinha, surto! Acho que vou entrando num círculo vicioso maníaco e não me cuido direito. Preciso de pessoas que me cuidem. Estou parindo idéias, que são como se fossem filhos. E eu bem me lembro do Diogo, grande amigo, dizendo que as gestantes e as mães com recém-nascidos precisam de MUITO amparo. E, por mais custoso que seja admitir isso, hoje eu reconheço que sem meus amigos, um companheiro e minha família, não sou NINGUÉM, minha auto-estima vai lá pro chão (sim, tenho problemas com insegurança acadêmica e pessoal) e não vou produzir.
5. SANIDADE MENTAL: como disse minha amiga Alba, uma pessoa como eu ou “desponta” (embora eu não ache que esteja fazendo nada de tão extraordinário) ou surta. Nem preciso dizer que sinto isso na pele. É como viver no abismo todo dia. Teve épocas que eu tava perto de surtar que eu queria largar tudo e virar vendedora, caixa… tudo por uma vida que suprimisse esse turbilhão que horas é lindo, horas parece um grande pesadelo.

6. PARTIR PRO “CONCRETO” E MEXER O ESQUELETO: tenho que tirar 1 dia (ou algumas horas) da semana e fazer atividades beeem concretas: cozinhar, cuidar de flores, tricotar… enfim, algo que envolva mais a inteligência cinestésica do que a cognitiva. Em horas como essas, às vezes chegam idéias bastante inusitadas. Foi num passeio de bike que consegui fazer a macroestrutura do último artigo que escrevi.

(Imagem de Horta – Deusa Etrusca da Jardinagem)
Acho que, por hora, são os auto-conselhos que consigo dar a mim mesma que vieram se revelando na medida em que fui pensando, conversando sobre… é o que sempre digo: é o diálogo que move a ciência, o mundo e as idéias. Agora é hora de parar e botar a mão na massa pro meu artigo “O som e a música na geografia: apontamentos epistemológicos e metodológicos”








A isto se chama coragem, se não me engano. A capacidade de olhar pra dentro de si com sinceridade. A capacidade de usar o senso crítico consigo mesmo e reconhecer que precisa de ajuda e de uma luz no fim do túnel. Certamente, tudo é novo pra mim. Por isso, talvez, que eu tenha uma forte identificação com meus alunos. Talvez eu, ao invés de ter medo, procure me fascinar com esta nova fase. Em alguns aspectos, estou tentando: saio mais com meus amigos, valorizo a presença de cada um que chamei para dialogar comigo. Valorizo as presenças, inclusive de meus familiares. Ou pelo menos acho que consigo demonstrar valor. Acho que atribuir valor da existência de outros seres humanos a sua existência, para eu que sempre fui uma “wolverine” da vida, é um ato de coragem muito maior do que peitar pessoas que venham debater comigo. Como disse o Lincoln, meu padrasto, consigo peitar uns 10 numa briga. E isso certamente não faz de mim mais forte, não por dentro…

